Em um desses dias chuvosos de outono, Emilly estava transtornada, já não sabia mais o que fazer, ela estava triste consigo mesma.
Não, Emilly não tinha brigado com seu grande amor, ou coisa assim, até porque Emilly não tem um grande amor, até agora.
Emilly pegou seu guarda-chuva e saiu de casa, sem rumo.
A chuva estava calma e a noite escura. Andou um pouco e parou em um jardim, nunca tinha ido lá, mas já ouvira falar daquele lugar. Sentou-se em um banco coberto e ficou ali, admirando as flores.
Passado algum tempo, percebeu que a chuva estava mais calma do que antes, e por algum motivo que nem eu, nem a autora, nem Emilly sabemos, isso a deixou feliz.
Já era madrugada e Emilly não sentia vontade de sair dali. Mas se levantou e caminhou pelo jardim. Ao longe via-se a imagem de um homem e, por mais estranho que seja, ela não sentiu medo. Na verdade, ficou curiosa para saber o que o homem fazia no jardim há essa hora. “Talvez ele esteja triste como eu”, pensou ela.
E antes que vocês pensem que ela vai se apaixonar por esse homem, já adianto que não. Vocês, meus caros leitores, precisam saber que Emilly é uma moça auto-suficiente, que não gosta nada, nada da idéia de dividir seu dia-a-dia com outra pessoa. Pois bem, eu, como narradora dessa historia, que na verdade fui inventada pela mente da autora, digo que Emilly só é assim porque nunca amou de verdade. Não que eu devesse expor minhas opiniões, já que o meu dever é apenas contar o enredo dessa historia, mas devo informá-los que o que Emilly sentia no inicio da historia é chamado de solidão.
Sim, meus caros, Emilly sentia-se só. Emilly tinha muitos amigos e uma família, mas, na verdade, ela estava mesmo era sentindo falta de alguém que a amasse, alguém que se preocuparia com ela, alguém para ela se preocupar. E eu como narradora dessa historia acho que isso está parecendo mais um desabafo da autora. Mas é melhor eu ficar quieta e continuar a narrar a historia.
Agora Emilly sentia-se corajosa, pois já era quase de manhã e ela não sentia medo algum. Porque quando viu aquele homem sentado com a cabeça baixa entendeu que não era a única pessoa a se sentir assim. Emilly não estava só na solidão. Ela teve vontade de ir falar com esse homem e perguntar por que ele estava ali. Mas achou melhor não atrapalhar.
Emilly se levantou e caminhou até a saída no jardim. Quando atravessou o portão, sentiu-se aliviada. Ela entendeu que o amor faz falta e que quanto mais nos fechamos para ele mais tristes e sozinho ficamos.
Não vou dizer que daqui para frente Emilly amou muito e fez varias caridades e em uma dessas caridades encontrou o amor de sua vida e viveu feliz para sempre, não. Porque isso não aconteceu, ela ainda sofre com a solidão, mas aprendeu que o amor é bom. E eu acho que quem aprendeu isso foi a autora e que isso é um desabafo, não acha?