Uma garota confusa, tentando se entender e entender ao mundo, confundindo o mundo todo.



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014.doc



2013; decidi começar pelo fim. Em 2013 escrevi uma carta sorrindo para a nova eu de 2014. Nova eu - não chega a ser hilário esse meu cinismo? Escrevi a carta porque apostei tudo em 2014, achei que seria meu ano. Sentia isso. Ok, alguém me mandou as vibrações erradas. Queria deixar meu muito obrigada a quem quis me sacanear assim me fazendo sentir o que não era verdade. Valeu mesmo.  Enfim, perdi a tal carta, mas me perdi também. Faz sentido.
É o ultimo dia do ano.
Eu ia escrever sobre dois mil e quatorze, mas acontece que: Nada. Olho para o papel e me esforço para tentar achar palavras que caibam, minimamente, no meu dois mil e quatorze. Nada! O nada é um grande filho da puta! Cabe tanta coisa em um simples nada que qualquer coisa, ainda que enorme, se torna pouco, ou melhor, nada. Um nada cheio de tudo. Olho para trás e vejo, em cada pequena vírgula desse meu ano, um nada cheio de tudo.
Acho que deveria ter feito uma lista... Nunca gostei de listas, nos limitam. A carta para dois mil e quatorze era, inicialmente, uma lista. Mas como eu poderia dizer das cores se fosse só uma lista, como a lista de compras pregada na minha geladeira? Ah, as cores... Na carta pedi para que em 2014 eu fosse colorida. Meu ano foi cheio de olheiras roxas (de noites mal dormidas) e sorrisos amarelos. Vale colorir assim?
É o ultimo dia do ano... Ainda?
Mudança. A primeira palavra que me vem à cabeça. Talvez por estarmos nessa época do ano... Por que insistimos em querer mudar nessa época? O ano novo sopra o vento da esperança nas nossas faces, bagunça o nossos cabelos e traz um suspiro de vida a quem já se desfalece a essa altura. Mudança. Ásperas mudanças.  Sorrio de canto porque mudar é triste. Mudar é escolher, abdicar, ponderar, repensar, abandonar, livrar-se. Mas como posso chorar diante da liberdade? Prefiro sorrir.  Triste felicidade (dei de ombros - Meu Deus, como meus ombros pesam!). Sua expectativa esta me causando dores nas costas. Por que as depositou tão pesadamente em mim? Não posso bater as asas que você me acusou de ter assim. Fada? Não, passarinho.  Mas voltei a acreditar nelas, nas madrinhas em especial. E nos príncipes azuis da meia noite em cavalos bran...Hum... Negros! E nesses seus olhos cor de tempestade e formato de calmaria.
Dois mil e quatorze, existem exatamente dois mil e quatorze motivos para você ser o ano que eu não esperei que você fosse. Nesse sem-fim de motivos, esbarro: infinitas versões de uma vida que eu não vivi. Estaciono. O nada me pertence outra vez. Afaga-me o peito e jura-me amor eterno. Quem disse que o nada não pode ser companhia? Estou cheia de nada ou meu nada está cheio de tudo? O nada me sorri uma vez por mês, pelo menos, e escova meus cabelos em dezembro. Acaricia-me em dezembro. Gargalha de mim esse mês. Em dezembro eu chovo o mês inteiro.
Esse foi um ano de encontros e desencontros e reencontros e desencontros outra vez. Despedi-me do que jurei ser eterno e acolhi aqueles que haviam partido outrora. Chorar de rir e sorrir de tristeza. Contradição, paradoxo, incongruência...
Dois mil e quatorze motivos para te odiar. Te culpo, erroneamente, pela minha incoragem. Incoragem até de assumir minha covardia. Em que ponto eu me perdi de mim?
O meu castelo descobri ser de areia quando, na segunda ou terceira onda furiosa, deixou de ser uno e fez-se novamente pequenos grãos da areia mais clara dessa praia. E das flores que eu e você cultivamos só sobraram o pó. Minhas águas salgadas já não florescem nós dois.
Dois mil e quatorze, que o próximo ano seja seu julho em novembro e que dois mil e quinze seja quinze assim como fomos um dia.
Minha solidão dança com meu nada uma valsa funesta no meu peito. Não posso continuar...

sábado, 20 de dezembro de 2014

Tenho andado com os olhos pesados de quem não dormiu de noite. Olhos de quem carrega mais do que pode e leva a vida nas costas. Esses meus olhos que já foram acusados de serem os olhos de Capitu. Esses meus olhos que foram alvo das discussões mais tolas sobre suas cores e suas formas. Os meus olhos que antes, incessantemente, insistiam em fugir dos seus. Os meus olhos pesados. Esses meus olhos que eu tanto amei um dia, agora não amo mais.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Carta de um retirante

Quando a tristeza me invade
e infesta todos os cantos do meu lar
meu corpo manifesta minha vontade de mar
e o que não posso levar escorre de mim
ecoa no centro e transborda

O mar guarda a sina de ser balanço
e mil vezes dança e se quebra em cem
cem vezes me lanço de peito aberto
Ao que julgo certo
Afundo
e agora afogo.

Sou tantas de mim que, como o mar, me faço em cem
e cem dos teus pesares se misturam
nas minhas águas.
Teu clarão anuncia o dia e
mais uma vez ao mar avanço
meu eterno balanço, meu berço.

Das águas não mais serenas levo a luta
e o cansaço se esvai
Mil vezes dança o mar e se quebra em cem
Me refaço, renasço e cada pedaço
divido para outros tantos filhos do mar


Em todos os seus cantos despejo
Meu desejo escuro de ser sereia

domingo, 7 de dezembro de 2014

Fique


Estou te olhando agora. Te encarando da forma mais direta possível, te lançando meus olhares mais cruéis e ternos. E eu sei que você esta me olhando também. Me encarando e desejando que tudo não passe de sonho.
Estamos estáticos. Quero piscar e não consigo, não posso perder um minuto de você. Temos tanto a falar ainda, tanto a rir, tanto a suspirar. E se nos faltar assunto, assumo o papel principal na cena e faço meu o seu assunto necessário.
Sussurrei você esperando que ouvisse da coxia a minha necessidade de mais uma cena. Um socorro sincero da minha vontade de você. Mais um suspiro e eu te liberto. Mais um riso e eu te solto. Mais um poema e você vai. Mais um adeus e eu imploro; fique!