Uma garota confusa, tentando se entender e entender ao mundo, confundindo o mundo todo.



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Carta de um retirante

Quando a tristeza me invade
e infesta todos os cantos do meu lar
meu corpo manifesta minha vontade de mar
e o que não posso levar escorre de mim
ecoa no centro e transborda

O mar guarda a sina de ser balanço
e mil vezes dança e se quebra em cem
cem vezes me lanço de peito aberto
Ao que julgo certo
Afundo
e agora afogo.

Sou tantas de mim que, como o mar, me faço em cem
e cem dos teus pesares se misturam
nas minhas águas.
Teu clarão anuncia o dia e
mais uma vez ao mar avanço
meu eterno balanço, meu berço.

Das águas não mais serenas levo a luta
e o cansaço se esvai
Mil vezes dança o mar e se quebra em cem
Me refaço, renasço e cada pedaço
divido para outros tantos filhos do mar


Em todos os seus cantos despejo
Meu desejo escuro de ser sereia

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